sexta-feira, 25 de junho de 2010




Era um sentimento estranho.Sempre aparecia assim do nada,sem explicações e acredito que sem motivos,mas aparecia.Era uma espécie de solidão carregada de angústia,que aparecia juntamente com a lembrança de todos os amores passados,de todos os sonhos passados e de todas as frustrações.Era um sentimento carregado de medo,do medo do futuro,das pessoas,da vida ou sabe-se lá do quê.Um sentimento que chegava e ia embora de repente,mas que infelizmente chegava e não fazia bem.Era como se restassem espaços,espaços que nunca foram preenchidos,mas que foram tocados.Porém o toque só havia deixado arranhões,feridas que iam se somando e aumentando.Mas com certeza de uma hora pra outra iria embora,esperando que os arranhões,que as feridas fossem preenchidas,que o espaço outrora vazio,enfim fosse ocupado.



Jacson Lopes

terça-feira, 22 de junho de 2010


Belo não é está de acordo com os padrões estabelecidos,mas sim acreditar naquilo que se tem,naquilo que se é.





Jacson Lopes

sábado, 19 de junho de 2010


"Te olharia novamente mesmo que fosse pra dizer adeus."


Jacson Lopes







Tornou-se um vício.Mas os vícios quase sempre nos levam para lugares que não conhecemos.Era prazeroso ser um viciado.Pois o vício fez dele um grande rapaz,capaz de escrever em seus sonhos finais mais tristes que aqueles que ele havia vivido.De seu vício,ele fez fantasia.Fantasia de uma vida que não é real,de sentimentos que não são reais,de pessoas que não são reais.Era um vício,um vício perfeito!E por isso escrevia,sobre a dor e sobre o amor,sobre a amizade e sobre a falsidade,sobre as pessoas e sobre os animais,sobre as vitórias e sobre as derrotas.Era um vício,um vício que o consumia diariamente,que o fazia acordar de madrugada quando de repente sentia de leve um estalo,era um vício que o fazia tentar explicar tudo o que sentia.
Jacson Lopes

terça-feira, 15 de junho de 2010







Havia criado um mundo maravilhoso.Cheio de amigos,de pessoas bondosas,amorosas e leais.Assim,costumava sonhar,ilustrar a vida.Mas logo cedo descobriu que a vida não era nada disso,que as pessoas eram apenas pessoas,sem sonhos,sem amor,sem amigos.Pessoas,que se contetavam com o que tinham e com o que viriam a ter.Sem se preocupar com o que já tiveram,com o que já conquisataram,com o que deixaram para trás.Não era tão importante,tão necessário preocupar-se com os velhos amigos,com os velhos sonhos,com os velhos dias.Todos esses velhos já não acrescentavam muitas coisas,são só pedaços de um velho livro,ilegível,com suas páginas amareladas.



Jacson Lopes

quinta-feira, 10 de junho de 2010


Aquela mesma imagem,aquela mesma varanda, aquele mesmo lugar. Hoje, solitário! Em cinza, o cinza que diz muito.O cinza que revela a tua ausência, o cinza que revela a ausência do tom vibrante do amarelo, do tom vibrante das cores alegres. O tom vibrante dos dias intensos, dos dias em que você esteve aqui. Mas agora só resta esse tom de cinza, de uma vida em cinzas, uma vida que o sol pouco ilumina.

Jacson Lopes



Satisfação: é sentir teu corpo no escuro sem ao menos ver teu rosto.


Jacson Lopes

quarta-feira, 9 de junho de 2010


Insistia em dizer que não valia à pena arriscar. Com o coração cheio de medo preferia ficar ali, de vez em quando até pensava em mudar de vida, conhecer novas pessoas, mas apenas pensava, não agia. Temia as pessoas, não havia tido boas experiências com elas. Por isso, aos 50 anos, preferia ficar em casa, atrás de seus muros com os seus próprios problemas, só com os seus. Mas num certo dia, um dia cheio de sol, sua campainha tocara e para sua surpresa não era o carteiro, nem alguém pedindo esmolas, era um amigo. Um velho amigo que jamais esquecera sua amizade, e ela surpresa decidiu deixá-lo entrar. Neste momento, as lembranças começaram a reaparecer em sua memória como cenas de um filme que ela preferia esquecer, principalmente do verão de 1980, quando ela tinha 20 anos. Haveria sido um verão maravilhoso, com muita praia e muito sol, se aquilo que hoje era apenas uma lembrança desagradável, não tivesse acontecido. Mas infelizmente havia acontecido!Lembrava-se que estavam todos felizes, ela, duas amigas e dois amigos. Entre eles esse, que após 30 anos batera sua porta, trazendo consigo todas aquelas lembranças, de um final de verão desagradável, muito desagradável. Eram todos amigos da universidade, freqüentavam as mesmas festas, assistiam às mesmas aulas, praticamente viviam juntos. Mas aquele verão veio a acabar com tudo,estavam voltando para casa,quando o acidente acontecerá,estavam bebendo,cantando, enquanto esse colega, que hoje tocara a sua campainha dirigia o carro e o batera. Todos morreram menos ela e ele. A última vez que ela o tinha visto fora naquele terrível funeral, onde pela última vez ela viu o rosto de suas duas amigas e de seu amigo. Depois desse dia, decidiu isolar-se,a universidade já não fazia mais sentindo,seria terrível, ao entrar naquela sala, não ser recebida com o bom dia daquelas três pessoas que haviam partido, sabe-se lá pra onde e não conseguiria também encarar o triste semblante de seu amigo que assim como ela, infelizmente havia sobrevivido. Logo após o enterro, ela sempre pensava em seus amigos e preferia ter morrido junto a eles, pois desta forma, ela não precisaria sofrer com as lembranças, que tanto a amarguravam. Jamais voltara a universidade, jamais tivera, novamente, uma vida com a de antes. E já haviam se passado trinta anos, e infelizmente aquele amigo viera tocar a sua campainha, trazendo todas aquelas lembranças que ela com muita força, havia esquecido. Naqueles últimos trinta anos só conseguira viver com a solidão, solidão que a consumia. Mas esse amigo, de tantos anos, retornara, e o dia era de sol, de um sol radiante. Sentados no sofá cheio de mofo de sua sala, conversavam e no decorrer da conversa, aos 50 anos, ela ficava a se perguntar: será que a vida estava lhe dando uma nova chance, será que ela estava precisando, depois de 30 anos, sentir o cheiro da vida novamente?Depois de muito insistir, seu amigo conseguiu convencê-la de que arriscar, com certeza valeria à pena. De que aqueles amigos que há trinta anos haviam partido, jamais ficariam felizes ao vê-la ali, sentada em um sofá, sozinha, solitária. Então, ela ainda com muita dúvida, decidira sair com esse amigo de tantos anos. Ele se foi e disse que às oito e meia da noite voltava para buscá-la e assim ficou combinado. Depois que o amigo saiu, ela ficou a pensar, se seria bom arriscar novamente. Abriu o seu guarda-roupa, e não encontrou nada de adequado para sair, não conhecia a moda atual, estava ultrapassada. Pensou em usar um vestido preto de veludo, mas iria parecer que ainda estava de luto, e essa não era a intenção daquele convite. Convite que trazia consigo cores, cores de uma vida que há trinta anos ela deixara de viver e esse era o momento de voltar,de retomar a sua vida.Depois de muito procurar,encontrou um vestido amarelo,então pensou que esse vestido combinaria com o dia em que o convite chegara,com o dia em que após trinta anos o sol radiante tornara a brilhar em seu jardim,com o dia em que era preciso regar as flores já quase mortas.Tomou banho,vestiu o vestido amarelo,arrumou os cabelos,passou um batom que pelo tempo já estava vencido,mas mesmo assim passou.Já não era a mesma de trinta anos atrás,aos cinqüenta,a aparência havia mudado muito.Mas não se preocupava com isso,parecia que tudo ia mudar a partir daquele momento,aquele convite era o renascimento de uma mulher que havia morrido dentro de si.No horário marcado,a campainha tocara,e ela foi de encontro a sua nova vida.Lá estava o seu amigo,que depois de todo esse tempo trouxera para ela o melhor presente que ela poderia receber:A VIDA!Foram para um bar, pediram um bom vinho, comeram alguns petiscos, deu muitas risadas, gargalhadas, depois ele a levara para casa e marcaram de sair novamente. Ao deitar em sua cama, ela percebera que toda aquela tristeza, toda aquela angústia havia ido embora, e que aquele convite fez nascer uma nova mulher, uma nova mulher aos cinqüenta anos de idade que agora sorridente pensava: FELIZ AQUELE QUE FEZ AMIGOS!

Jacson Lopes



domingo, 6 de junho de 2010

De minhas besteiras: imagino fazer arte.
Jacson Lopes
Imagem de Aline Melo
A boneca poderia não ser bela.Mas pra que serviria a beleza da boneca,se existe a beleza da artista.
Jacson lopes
Feio: é parecer um boneco torto e não saber por onde ir.
Jacson Lopes