
Às vezes tudo aquilo que construímos, acaba como se não tivesse existido. Seria incorreto de dizer que acaba como se não tivesse existido. Como pode não ter existido se deixou saudade. Não era como apagar páginas de um livro, ainda estava em mim, dentro de mim. Mas em algum lugar havia acabado, mas será que realmente existe um fim para aquilo que um dia amamos, para aquilo que um dia foi nosso, para tudo aquilo que criamos e que de uma hora para outra se foi? Era preciso não acreditar em fins de ciclos, em amores termináveis, em relacionamentos acabados. A vida valeria muito mais que isso, e ele não podia fazer da sua vida páginas de um livro escrito a lápis, que pudesse ser apagado e corrigido com o passar do tempo. Por isso escrevia de caneta, com tinta forte, com marcas fortes que permaneciam,duravam e ficavam ali para sempre mesmo que escondidas em um canto, silenciadas. Não se tratava de erros ou de acertos, mas sim de lances de uma vida, de uma vida comum, cheia de rotina, mas que também experimentou momentos marcantes, inesquecíveis, memoráveis. Para ele, a vida era isso: muitos sonhos, muitas lutas, muitas vitórias e muitas derrotas. O importante era levantar-se a cada queda, a cada tropeço e continuar a escrever com sua caneta de tinta forte e marcante, que o fazia viver como nunca, que o fazia experimentar tudo como se fosse à última vez.
Jacson Lopes