sexta-feira, 17 de agosto de 2012





Todos estavam ali. Ou melhor, todas estavam ali.
Era, mais uma noite de uma vida pra ser ganha.

E, ela já era magra e se equilibrava em cima do salto velho.

É, do salto velho de cor vermelha.

Ela era magra e faminta.

Sentia sede também, mas ainda não tinha ganhado a vida daquela noite de tantas outras já vividas.
Tinha umas moedas no bolso.
Comprara uma dose de bebida.

A bebida era quente e barata.

Mas a bebida aquecia a noite fria que precisava ser ganha.

A noite fria de uma vida, que pra ser ganha era preciso manter o equilíbrio do salto vermelho, do salto velho e vermelho.

Mas, enfim, um carro de cor preta, de modelo do ano passado parou naquela esquina onde ela se equilibrava. Ela, elegantemente caminhou até o carro, que teve o seu vidro abaixado e que naquele mesmo escuro da noite fria de saltos vermelhos a convidara para entrar.
E ela, sem muita escolha
entrou...



Jacson Lopes

sábado, 11 de agosto de 2012


Não me peçam outros posicionamentos.
Não tentem me ensinar de uma outra forma(enganadora).
Não finja para mim à tua democracia racial.
Não monte o seu circo sobre os meus.
Não ria de nossa cor, nem do nosso cabelo.
Não me peça respeito, se você se diz tolerante.
Não me olhe torto, pois além de dois grandes olhos
Eu também tenho o beiço grande e uma língua desafiadora.
Jacson Lopes


sexta-feira, 6 de julho de 2012

                          

Nós não vamos chorar as mesmas lágrimas de ontem.
Hoje, nós vamos sorrir e esperar o amanhã chegar.
Tudo é certo, tudo é certo Rapinagem.

quinta-feira, 7 de junho de 2012






O menino que olhava através da janela 
Agora é homem
 O menino que se escondia para chorar
 Agora gargalha risos a frente do mundo 
O menino que sorria de suas poucas besteiras 
Agora se afoga nelas
O homem de hoje
 Ainda guarda a essência do menino 
Do menino que ao andar de bicicleta
 Caminhava para o seu futuro 

 Jacson Lopes

domingo, 25 de março de 2012




... é como se você tivesse um cubo mágico e neste exato momento começasse a mover cada quadradinho. Mas com todos esses movimentos, não significa que você queira deixar tudo em ordem. Cor com cor, lado a lado. É como se o tal do cubo mágico fosse o cubo de tua vida e você começasse a embaralhá-lo, misturá-lo, desordená-lo. Não que ele esteja em ordem, mas você ainda busca mais. Mais emoções, mais momentos, mais desafios, mais pessoas, mais sentimentos. O cubo mágico funciona como a nossa vida.É até possível ordená-lo, cor com cor, lado a lado novamente, mas é impossível ordená-lo e não perder o sabor do amanhecer de cada dia.

Boa noite, Jacson Lopes

domingo, 11 de março de 2012



... e aquela estrada, através da qual você não imaginava passar, agora é caminho atravessado. O sol que ficava do outro lado, agora é luz de teus dias. Aquele pequeno riacho de água cristalina, agora é onde tu costumas banhar ao ser presenteado com o amanhecer do dia.

Jacson Lopes


sábado, 3 de março de 2012


Brida de sonhos,
flores, saudades e expectativas.

sábado, 28 de janeiro de 2012


Ás vezes, nós pensamos em mudar. Em deixar tudo o que o mundo aí fora nos oferece, pois o nosso mundo, o mundo interior insiste em nos pedir outra coisa, mas temos medo. Medo de se desligar, de deixar pra trás, de cair, despencar e voar. Temos medo de não saber voltar, pois algumas vezes os rastros são apagados, os caminhos são modificados e o retorno é impossível. Ás vezes, não conseguimos por falta de coragem, coragem de enfrentar. É, essa é a palavra. Enfrentar, enfrentar os dias como o leão enfrenta a fome e a vontade de comer. Enfrentar os dias, como o leão enfrenta a fome e a corrida pelo alimento. Enfrentar os dias como o veado enfrenta o medo de ser devorado pelo leão faminto que está a enfrentar a fome.É medo, é coragem, é fome e é vontade. Vontade de ser, de ser essência, de ser frescor, de ser amor e de ser dor. Dor de sonhos e desejos. Dor de tristeza e de felicidade. É isso mesmo, dor de felicidade. Da felicidade que o leão sente quando devora a carne do veado morto, a felicidade da dor do maxilar ao se movimentar com ferocidade. Dor de tristeza, a tristeza do veado que foi devorado pelo leão faminto, a dor sentida no momento em que o seu corpo é abocanhado pelo leão faminto que está a lutar por seu alimento enquanto o veado está a lutar por sua vida. E assim somos nós. Em uns dias somos o leão, em outros somos o veado. Em um dia somos a presa em fuga, em outros somos o predador faminto. Assim somos nós, em um dia devemos lutar contra nós mesmos, contra nossas fomes e no outro devemos partir em busca de comida. Em um dia, devemos lutar contra os nossos predadores para que no outro dia possamos nos tornar predador. Mas não significa que devemos devolver tudo da mesma forma, que sendo veado devemos nos tornar predadores de leões. É preciso pensar em mudar, mesmo sem saber como. é preciso saber ouvir o mundo interior e o mundo interior não pede carne e sangue. O mundo interior pede o que é fome e não é. Pede o que é fome e não é carne, e nem é sangue. Pede o que é fome e é verdade. Pede o que é fome e pode não existir. Pede o que é fome e não se sabe dizer o que realmente é.

Jacson Lopes

sábado, 7 de janeiro de 2012




Eu quero que essas
ruas
se encham
de poemas.
Eu quero que essa
casa
não seja
tão pequena.

Jacson Lopes