sábado, 28 de janeiro de 2012


Ás vezes, nós pensamos em mudar. Em deixar tudo o que o mundo aí fora nos oferece, pois o nosso mundo, o mundo interior insiste em nos pedir outra coisa, mas temos medo. Medo de se desligar, de deixar pra trás, de cair, despencar e voar. Temos medo de não saber voltar, pois algumas vezes os rastros são apagados, os caminhos são modificados e o retorno é impossível. Ás vezes, não conseguimos por falta de coragem, coragem de enfrentar. É, essa é a palavra. Enfrentar, enfrentar os dias como o leão enfrenta a fome e a vontade de comer. Enfrentar os dias, como o leão enfrenta a fome e a corrida pelo alimento. Enfrentar os dias como o veado enfrenta o medo de ser devorado pelo leão faminto que está a enfrentar a fome.É medo, é coragem, é fome e é vontade. Vontade de ser, de ser essência, de ser frescor, de ser amor e de ser dor. Dor de sonhos e desejos. Dor de tristeza e de felicidade. É isso mesmo, dor de felicidade. Da felicidade que o leão sente quando devora a carne do veado morto, a felicidade da dor do maxilar ao se movimentar com ferocidade. Dor de tristeza, a tristeza do veado que foi devorado pelo leão faminto, a dor sentida no momento em que o seu corpo é abocanhado pelo leão faminto que está a lutar por seu alimento enquanto o veado está a lutar por sua vida. E assim somos nós. Em uns dias somos o leão, em outros somos o veado. Em um dia somos a presa em fuga, em outros somos o predador faminto. Assim somos nós, em um dia devemos lutar contra nós mesmos, contra nossas fomes e no outro devemos partir em busca de comida. Em um dia, devemos lutar contra os nossos predadores para que no outro dia possamos nos tornar predador. Mas não significa que devemos devolver tudo da mesma forma, que sendo veado devemos nos tornar predadores de leões. É preciso pensar em mudar, mesmo sem saber como. é preciso saber ouvir o mundo interior e o mundo interior não pede carne e sangue. O mundo interior pede o que é fome e não é. Pede o que é fome e não é carne, e nem é sangue. Pede o que é fome e é verdade. Pede o que é fome e pode não existir. Pede o que é fome e não se sabe dizer o que realmente é.

Jacson Lopes

sábado, 7 de janeiro de 2012




Eu quero que essas
ruas
se encham
de poemas.
Eu quero que essa
casa
não seja
tão pequena.

Jacson Lopes