sábado, 14 de dezembro de 2013


Nenhuma de suas roupas está cabendo agora. As suas máscaras estão no chão. As pílulas para dormir te fazem ficar acordado e você está cada vez mais alerta. Sente uma enorme vontade de dançar, mas se deita. Você precisa se acalmar, ou focar sua atenção. Mas você não controla o que chama de corpo. Ele não te pertence. A música que toca em seu interior é muito intensa, os sons que estão te oferecendo são muito amenos. Você quer mais, mais música, mais cor, mais som. Você caminha para um lado, corre para o outro e nada. O sono não chega e você descobre que as pílulas que tomou para dormir haviam passado da validade, elas encontravam-se presas num passado e não existia substâncias que as fizessem voltar a fazer efeito. Você descobre também, que estava com sono. Que seu corpo estava dormindo o tempo todo, que você não havia acordado em momento nenhum. Que tudo era ilusão, que era tudo coisa de sua cabeça. Que na verdade nada existia, por que a verdade também não existe. E assim, você descobre que buscar respostas é muito complicado, então você se deita novamente e volta a dormir. 
 Jacson Lopes

quarta-feira, 4 de setembro de 2013



Ousei abusar de toda intensidade.

Tudo acabou...


em chamas.


Jacson Lopes

terça-feira, 13 de agosto de 2013


Todo seu, 
Todo céu.
Todo céu,
Todo seu !

Jacson Lopes

quinta-feira, 30 de maio de 2013




Eu desisti do amor
Da mesma forma que o céu desistiu das estrelas
E o sol desistiu de se pôr.

Jacson lopes

domingo, 19 de maio de 2013




... o seu coração vai esvaziando feito bola de assoprar e depois disso, você já não sabe mais.

Jacson Lopes

quinta-feira, 9 de maio de 2013



Acenderei uma vela quando o último racista for morto. Acenderei outra quando o último homofóbico for morto. Acenderei mais uma quando os nossos direitos forem nossos. Acenderei mais outra quando não mais existir dor. Acenderei mais uma, mais adiante quando em nós já não existir lugar para hipocrisia.
 Mais tarde apagarei todas. 

Uma por uma.


Jacson Lopes

segunda-feira, 29 de abril de 2013




... tem vezes que retornam, mas tem vezes que não. E o que não volta, algumas vezes também dói.

Jacson Lopes







Eu também sou um travesti.

Eu salto noites em cima do salto 15.
Sim, salto 15, meia pata.
Um vestido curto, um peito falso.
Silicone de carro, ou silicone italiano.
Eu também sou um travesti.
E a esquina. Ah, a esquina é minha casa.
Minha moradia é a rua, meu céu é a noite.
E meu vestido, é de plumas vermelhas acima do joelho.
O meu nome, é travesti.
O teu nome, eu não sei. 
Mas o meu nome é travesti.
Eu comprei aquele sutiã rendado, mas meus peitos são de mentira.
Eu roubei aquela cinta liga, mas ela não coube em mim.
Eu também sou um travesti.
Eu montei, usei sua maquiagem, mas tudo ficou borrado depois do escuro da noite.
Da esquina, das amigas, dos sonhos embolados nos lençóis do motel.
Dos orgasmos não sentidos naquela rua escura.
Do dinheiro não recebido, do beijo não recíproco, da saudade silenciosa.
Eu entrei, e saí.
Eu também sou travesti.

Jacson Lopes

quarta-feira, 17 de abril de 2013





Entreolharam-se 

E foram embora.




Adeus - Jacson Lopes