segunda-feira, 29 de abril de 2013








Eu também sou um travesti.

Eu salto noites em cima do salto 15.
Sim, salto 15, meia pata.
Um vestido curto, um peito falso.
Silicone de carro, ou silicone italiano.
Eu também sou um travesti.
E a esquina. Ah, a esquina é minha casa.
Minha moradia é a rua, meu céu é a noite.
E meu vestido, é de plumas vermelhas acima do joelho.
O meu nome, é travesti.
O teu nome, eu não sei. 
Mas o meu nome é travesti.
Eu comprei aquele sutiã rendado, mas meus peitos são de mentira.
Eu roubei aquela cinta liga, mas ela não coube em mim.
Eu também sou um travesti.
Eu montei, usei sua maquiagem, mas tudo ficou borrado depois do escuro da noite.
Da esquina, das amigas, dos sonhos embolados nos lençóis do motel.
Dos orgasmos não sentidos naquela rua escura.
Do dinheiro não recebido, do beijo não recíproco, da saudade silenciosa.
Eu entrei, e saí.
Eu também sou travesti.

Jacson Lopes

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