
Eu não havia contado com aquelas flores em meu jardim.
O dia era de sol e novas flores apareceram, inesperadamente, mas apareceram.
E eu não havia contado com tão belas flores em meu jardim...
Jacson Lopes
Eu sempre tive mais afinidade pra demônio do que pra anjo. Jacson Lopes




Amores não são como pétalas caídas no chão, eles nunca morrem. Lembrava-se dos amores que tivera quando jovem. Amores esses que muitas vezes não passavam de fantasias. Fantasias suas, fantasias que criara para espantar as desilusões. Desilusões essas que tanto lhe atormentavam. Mas um dia, numa bela noite, aparecera. Surgira um novo amor em meio à multidão. Os olhares se cruzaram e ali estava. Ali estava a oportunidade para ser feliz, para deixar as frustrações passadas de lado, para jogá-las no fundo de uma lata de lixo. Não tivera medo de se arriscar, aprendera com sua pouca experiência que os riscos fazem parte do destino e que esses mesmos riscos podem nos proporcionar momentos inesquecíveis. Portanto, arriscou-se.
Jacson Lopes

Não sabia amar pela metade. Desde cedo aprendera que sentimentos não são como remédios, que não existi uma dosagem certa para sentir algo e por isso se entregava. Seja aos amores ou aos desamores que a vida trazia. E por isso não tinha medo de se jogar,quando amava,amava por inteiro. Mas mesmo assim tinha seus medos. Medos esses que apareciam trazendo certa desesperança, fazendo-o refletir sobre o que verdadeiramente é válido. E mesmo com esses medos continuava a acreditar que amar sempre faz bem, ainda mais quando se ama por inteiro.
Jacson Lopes

Era como a sorte de um novo amor.Era como uma dia cheio de sol,um dia em que toda luz penetra o interior de uma sala vazia trazendo consigo cores.Cores de uma nova vida,de novos sonhos,cores de novos caminhos,de novas expectativas.E o mais bonito é sentir que é real,que não está preso às páginas de um velho romance e que faz sentido.Que é tão intenso que irradia felicidade,que traz um novo horizonte.É sempre bom um novo caminho,um novo caminhar.Amar é sempre lindo,ainda mais quando se é correspondido.
Jacson Lopes




Insistia em dizer que não valia à pena arriscar. Com o coração cheio de medo preferia ficar ali, de vez em quando até pensava em mudar de vida, conhecer novas pessoas, mas apenas pensava, não agia. Temia as pessoas, não havia tido boas experiências com elas. Por isso, aos 50 anos, preferia ficar em casa, atrás de seus muros com os seus próprios problemas, só com os seus. Mas num certo dia, um dia cheio de sol, sua campainha tocara e para sua surpresa não era o carteiro, nem alguém pedindo esmolas, era um amigo. Um velho amigo que jamais esquecera sua amizade, e ela surpresa decidiu deixá-lo entrar. Neste momento, as lembranças começaram a reaparecer em sua memória como cenas de um filme que ela preferia esquecer, principalmente do verão de 1980, quando ela tinha 20 anos. Haveria sido um verão maravilhoso, com muita praia e muito sol, se aquilo que hoje era apenas uma lembrança desagradável, não tivesse acontecido. Mas infelizmente havia acontecido!Lembrava-se que estavam todos felizes, ela, duas amigas e dois amigos. Entre eles esse, que após 30 anos batera sua porta, trazendo consigo todas aquelas lembranças, de um final de verão desagradável, muito desagradável. Eram todos amigos da universidade, freqüentavam as mesmas festas, assistiam às mesmas aulas, praticamente viviam juntos. Mas aquele verão veio a acabar com tudo,estavam voltando para casa,quando o acidente acontecerá,estavam bebendo,cantando, enquanto esse colega, que hoje tocara a sua campainha dirigia o carro e o batera. Todos morreram menos ela e ele. A última vez que ela o tinha visto fora naquele terrível funeral, onde pela última vez ela viu o rosto de suas duas amigas e de seu amigo. Depois desse dia, decidiu isolar-se,a universidade já não fazia mais sentindo,seria terrível, ao entrar naquela sala, não ser recebida com o bom dia daquelas três pessoas que haviam partido, sabe-se lá pra onde e não conseguiria também encarar o triste semblante de seu amigo que assim como ela, infelizmente havia sobrevivido. Logo após o enterro, ela sempre pensava em seus amigos e preferia ter morrido junto a eles, pois desta forma, ela não precisaria sofrer com as lembranças, que tanto a amarguravam. Jamais voltara a universidade, jamais tivera, novamente, uma vida com a de antes. E já haviam se passado trinta anos, e infelizmente aquele amigo viera tocar a sua campainha, trazendo todas aquelas lembranças que ela com muita força, havia esquecido. Naqueles últimos trinta anos só conseguira viver com a solidão, solidão que a consumia. Mas esse amigo, de tantos anos, retornara, e o dia era de sol, de um sol radiante. Sentados no sofá cheio de mofo de sua sala, conversavam e no decorrer da conversa, aos 50 anos, ela ficava a se perguntar: será que a vida estava lhe dando uma nova chance, será que ela estava precisando, depois de 30 anos, sentir o cheiro da vida novamente?Depois de muito insistir, seu amigo conseguiu convencê-la de que arriscar, com certeza valeria à pena. De que aqueles amigos que há trinta anos haviam partido, jamais ficariam felizes ao vê-la ali, sentada em um sofá, sozinha, solitária. Então, ela ainda com muita dúvida, decidira sair com esse amigo de tantos anos. Ele se foi e disse que às oito e meia da noite voltava para buscá-la e assim ficou combinado. Depois que o amigo saiu, ela ficou a pensar, se seria bom arriscar novamente. Abriu o seu guarda-roupa, e não encontrou nada de adequado para sair, não conhecia a moda atual, estava ultrapassada. Pensou em usar um vestido preto de veludo, mas iria parecer que ainda estava de luto, e essa não era a intenção daquele convite. Convite que trazia consigo cores, cores de uma vida que há trinta anos ela deixara de viver e esse era o momento de voltar,de retomar a sua vida.Depois de muito procurar,encontrou um vestido amarelo,então pensou que esse vestido combinaria com o dia em que o convite chegara,com o dia em que após trinta anos o sol radiante tornara a brilhar em seu jardim,com o dia em que era preciso regar as flores já quase mortas.Tomou banho,vestiu o vestido amarelo,arrumou os cabelos,passou um batom que pelo tempo já estava vencido,mas mesmo assim passou.Já não era a mesma de trinta anos atrás,aos cinqüenta,a aparência havia mudado muito.Mas não se preocupava com isso,parecia que tudo ia mudar a partir daquele momento,aquele convite era o renascimento de uma mulher que havia morrido dentro de si.No horário marcado,a campainha tocara,e ela foi de encontro a sua nova vida.Lá estava o seu amigo,que depois de todo esse tempo trouxera para ela o melhor presente que ela poderia receber:A VIDA!Foram para um bar, pediram um bom vinho, comeram alguns petiscos, deu muitas risadas, gargalhadas, depois ele a levara para casa e marcaram de sair novamente. Ao deitar em sua cama, ela percebera que toda aquela tristeza, toda aquela angústia havia ido embora, e que aquele convite fez nascer uma nova mulher, uma nova mulher aos cinqüenta anos de idade que agora sorridente pensava: FELIZ AQUELE QUE FEZ AMIGOS!
Jacson Lopes






