sábado, 6 de novembro de 2010





Eu não havia contado com aquelas flores em meu jardim.

O dia era de sol e novas flores apareceram, inesperadamente, mas apareceram.

E eu não havia contado com tão belas flores em meu jardim...

Jacson Lopes

sábado, 30 de outubro de 2010

Eu sempre tive mais afinidade pra demônio do que pra anjo.

Sempre gostei de pessoas anormais, que não seguem linearmente as regras.

Sempre vivi meus momentos por inteiro, metades não enchem meu ego.

Eu sempre gostei de polêmica, isso me fascina!

Eu nunca fui uma pessoa fácil, frágil, facilmente sociável.

Eu sempre sou algo que vai além de mim mesmo.

Jacson Lopes

domingo, 12 de setembro de 2010





O destino muda os nossos passos e às vezes nem sabemos pra qual lado estamos indo. Se o caminho é certo ou errado, se estamos indo ou voltando, se estamos caminhando em lugares outrora conhecidos, se não estamos pisando em terreno no qual já semeamos, mas que a semente não frutificou por nossa culpa. Portanto, tomemos cuidado com os nossos caminhos, com as nossas sementes, com as nossas escolhas. Pois elas, quase sempre definirão o próximo caminho a seguir, a próxima semente a ser semeada, ou a próxima lágrima a ser derramada.
Jacson Lopes

Não gosto de meias palavras, quero um vocabulário inteiro .
Jacson Lopes

quarta-feira, 4 de agosto de 2010








Às vezes tudo aquilo que construímos, acaba como se não tivesse existido. Seria incorreto de dizer que acaba como se não tivesse existido. Como pode não ter existido se deixou saudade. Não era como apagar páginas de um livro, ainda estava em mim, dentro de mim. Mas em algum lugar havia acabado, mas será que realmente existe um fim para aquilo que um dia amamos, para aquilo que um dia foi nosso, para tudo aquilo que criamos e que de uma hora para outra se foi? Era preciso não acreditar em fins de ciclos, em amores termináveis, em relacionamentos acabados. A vida valeria muito mais que isso, e ele não podia fazer da sua vida páginas de um livro escrito a lápis, que pudesse ser apagado e corrigido com o passar do tempo. Por isso escrevia de caneta, com tinta forte, com marcas fortes que permaneciam,duravam e ficavam ali para sempre mesmo que escondidas em um canto, silenciadas. Não se tratava de erros ou de acertos, mas sim de lances de uma vida, de uma vida comum, cheia de rotina, mas que também experimentou momentos marcantes, inesquecíveis, memoráveis. Para ele, a vida era isso: muitos sonhos, muitas lutas, muitas vitórias e muitas derrotas. O importante era levantar-se a cada queda, a cada tropeço e continuar a escrever com sua caneta de tinta forte e marcante, que o fazia viver como nunca, que o fazia experimentar tudo como se fosse à última vez.
Jacson Lopes

quinta-feira, 22 de julho de 2010







Não sabia como agir. Os sentimentos se misturavam, estava confuso. Confusão essa que trazia consigo memórias, memórias de um amor, de um amor que construíra e no qual acreditara. Mas tudo parecia estar mudando e o amor parecia se transformar em saudade, em medo, em desespero. Todas as cores pareciam estar enfraquecendo e o cinza parecia querer voltar. Mas restava uma pontinha de esperança, pois ela nunca morre. A esperança de que tudo poderia voltar a ser como antes, de que os poucos dias carregados de cores poderiam ser resgatados. Mas a decisão não era sua, ou melhor, não era somente sua. Restava esperar, esperar o tempo passar e quem sabe tudo o que foi bom um dia voltar.
Jacson Lopes

quarta-feira, 14 de julho de 2010







Amores não são como pétalas caídas no chão, eles nunca morrem. Lembrava-se dos amores que tivera quando jovem. Amores esses que muitas vezes não passavam de fantasias. Fantasias suas, fantasias que criara para espantar as desilusões. Desilusões essas que tanto lhe atormentavam. Mas um dia, numa bela noite, aparecera. Surgira um novo amor em meio à multidão. Os olhares se cruzaram e ali estava. Ali estava a oportunidade para ser feliz, para deixar as frustrações passadas de lado, para jogá-las no fundo de uma lata de lixo. Não tivera medo de se arriscar, aprendera com sua pouca experiência que os riscos fazem parte do destino e que esses mesmos riscos podem nos proporcionar momentos inesquecíveis. Portanto, arriscou-se.

Jacson Lopes

quinta-feira, 8 de julho de 2010







Não sabia amar pela metade. Desde cedo aprendera que sentimentos não são como remédios, que não existi uma dosagem certa para sentir algo e por isso se entregava. Seja aos amores ou aos desamores que a vida trazia. E por isso não tinha medo de se jogar,quando amava,amava por inteiro. Mas mesmo assim tinha seus medos. Medos esses que apareciam trazendo certa desesperança, fazendo-o refletir sobre o que verdadeiramente é válido. E mesmo com esses medos continuava a acreditar que amar sempre faz bem, ainda mais quando se ama por inteiro.

Jacson Lopes

quinta-feira, 1 de julho de 2010






Era como a sorte de um novo amor.Era como uma dia cheio de sol,um dia em que toda luz penetra o interior de uma sala vazia trazendo consigo cores.Cores de uma nova vida,de novos sonhos,cores de novos caminhos,de novas expectativas.E o mais bonito é sentir que é real,que não está preso às páginas de um velho romance e que faz sentido.Que é tão intenso que irradia felicidade,que traz um novo horizonte.É sempre bom um novo caminho,um novo caminhar.Amar é sempre lindo,ainda mais quando se é correspondido.

Jacson Lopes

sexta-feira, 25 de junho de 2010




Era um sentimento estranho.Sempre aparecia assim do nada,sem explicações e acredito que sem motivos,mas aparecia.Era uma espécie de solidão carregada de angústia,que aparecia juntamente com a lembrança de todos os amores passados,de todos os sonhos passados e de todas as frustrações.Era um sentimento carregado de medo,do medo do futuro,das pessoas,da vida ou sabe-se lá do quê.Um sentimento que chegava e ia embora de repente,mas que infelizmente chegava e não fazia bem.Era como se restassem espaços,espaços que nunca foram preenchidos,mas que foram tocados.Porém o toque só havia deixado arranhões,feridas que iam se somando e aumentando.Mas com certeza de uma hora pra outra iria embora,esperando que os arranhões,que as feridas fossem preenchidas,que o espaço outrora vazio,enfim fosse ocupado.



Jacson Lopes

terça-feira, 22 de junho de 2010


Belo não é está de acordo com os padrões estabelecidos,mas sim acreditar naquilo que se tem,naquilo que se é.





Jacson Lopes

sábado, 19 de junho de 2010


"Te olharia novamente mesmo que fosse pra dizer adeus."


Jacson Lopes







Tornou-se um vício.Mas os vícios quase sempre nos levam para lugares que não conhecemos.Era prazeroso ser um viciado.Pois o vício fez dele um grande rapaz,capaz de escrever em seus sonhos finais mais tristes que aqueles que ele havia vivido.De seu vício,ele fez fantasia.Fantasia de uma vida que não é real,de sentimentos que não são reais,de pessoas que não são reais.Era um vício,um vício perfeito!E por isso escrevia,sobre a dor e sobre o amor,sobre a amizade e sobre a falsidade,sobre as pessoas e sobre os animais,sobre as vitórias e sobre as derrotas.Era um vício,um vício que o consumia diariamente,que o fazia acordar de madrugada quando de repente sentia de leve um estalo,era um vício que o fazia tentar explicar tudo o que sentia.
Jacson Lopes

terça-feira, 15 de junho de 2010







Havia criado um mundo maravilhoso.Cheio de amigos,de pessoas bondosas,amorosas e leais.Assim,costumava sonhar,ilustrar a vida.Mas logo cedo descobriu que a vida não era nada disso,que as pessoas eram apenas pessoas,sem sonhos,sem amor,sem amigos.Pessoas,que se contetavam com o que tinham e com o que viriam a ter.Sem se preocupar com o que já tiveram,com o que já conquisataram,com o que deixaram para trás.Não era tão importante,tão necessário preocupar-se com os velhos amigos,com os velhos sonhos,com os velhos dias.Todos esses velhos já não acrescentavam muitas coisas,são só pedaços de um velho livro,ilegível,com suas páginas amareladas.



Jacson Lopes

quinta-feira, 10 de junho de 2010


Aquela mesma imagem,aquela mesma varanda, aquele mesmo lugar. Hoje, solitário! Em cinza, o cinza que diz muito.O cinza que revela a tua ausência, o cinza que revela a ausência do tom vibrante do amarelo, do tom vibrante das cores alegres. O tom vibrante dos dias intensos, dos dias em que você esteve aqui. Mas agora só resta esse tom de cinza, de uma vida em cinzas, uma vida que o sol pouco ilumina.

Jacson Lopes



Satisfação: é sentir teu corpo no escuro sem ao menos ver teu rosto.


Jacson Lopes

quarta-feira, 9 de junho de 2010


Insistia em dizer que não valia à pena arriscar. Com o coração cheio de medo preferia ficar ali, de vez em quando até pensava em mudar de vida, conhecer novas pessoas, mas apenas pensava, não agia. Temia as pessoas, não havia tido boas experiências com elas. Por isso, aos 50 anos, preferia ficar em casa, atrás de seus muros com os seus próprios problemas, só com os seus. Mas num certo dia, um dia cheio de sol, sua campainha tocara e para sua surpresa não era o carteiro, nem alguém pedindo esmolas, era um amigo. Um velho amigo que jamais esquecera sua amizade, e ela surpresa decidiu deixá-lo entrar. Neste momento, as lembranças começaram a reaparecer em sua memória como cenas de um filme que ela preferia esquecer, principalmente do verão de 1980, quando ela tinha 20 anos. Haveria sido um verão maravilhoso, com muita praia e muito sol, se aquilo que hoje era apenas uma lembrança desagradável, não tivesse acontecido. Mas infelizmente havia acontecido!Lembrava-se que estavam todos felizes, ela, duas amigas e dois amigos. Entre eles esse, que após 30 anos batera sua porta, trazendo consigo todas aquelas lembranças, de um final de verão desagradável, muito desagradável. Eram todos amigos da universidade, freqüentavam as mesmas festas, assistiam às mesmas aulas, praticamente viviam juntos. Mas aquele verão veio a acabar com tudo,estavam voltando para casa,quando o acidente acontecerá,estavam bebendo,cantando, enquanto esse colega, que hoje tocara a sua campainha dirigia o carro e o batera. Todos morreram menos ela e ele. A última vez que ela o tinha visto fora naquele terrível funeral, onde pela última vez ela viu o rosto de suas duas amigas e de seu amigo. Depois desse dia, decidiu isolar-se,a universidade já não fazia mais sentindo,seria terrível, ao entrar naquela sala, não ser recebida com o bom dia daquelas três pessoas que haviam partido, sabe-se lá pra onde e não conseguiria também encarar o triste semblante de seu amigo que assim como ela, infelizmente havia sobrevivido. Logo após o enterro, ela sempre pensava em seus amigos e preferia ter morrido junto a eles, pois desta forma, ela não precisaria sofrer com as lembranças, que tanto a amarguravam. Jamais voltara a universidade, jamais tivera, novamente, uma vida com a de antes. E já haviam se passado trinta anos, e infelizmente aquele amigo viera tocar a sua campainha, trazendo todas aquelas lembranças que ela com muita força, havia esquecido. Naqueles últimos trinta anos só conseguira viver com a solidão, solidão que a consumia. Mas esse amigo, de tantos anos, retornara, e o dia era de sol, de um sol radiante. Sentados no sofá cheio de mofo de sua sala, conversavam e no decorrer da conversa, aos 50 anos, ela ficava a se perguntar: será que a vida estava lhe dando uma nova chance, será que ela estava precisando, depois de 30 anos, sentir o cheiro da vida novamente?Depois de muito insistir, seu amigo conseguiu convencê-la de que arriscar, com certeza valeria à pena. De que aqueles amigos que há trinta anos haviam partido, jamais ficariam felizes ao vê-la ali, sentada em um sofá, sozinha, solitária. Então, ela ainda com muita dúvida, decidira sair com esse amigo de tantos anos. Ele se foi e disse que às oito e meia da noite voltava para buscá-la e assim ficou combinado. Depois que o amigo saiu, ela ficou a pensar, se seria bom arriscar novamente. Abriu o seu guarda-roupa, e não encontrou nada de adequado para sair, não conhecia a moda atual, estava ultrapassada. Pensou em usar um vestido preto de veludo, mas iria parecer que ainda estava de luto, e essa não era a intenção daquele convite. Convite que trazia consigo cores, cores de uma vida que há trinta anos ela deixara de viver e esse era o momento de voltar,de retomar a sua vida.Depois de muito procurar,encontrou um vestido amarelo,então pensou que esse vestido combinaria com o dia em que o convite chegara,com o dia em que após trinta anos o sol radiante tornara a brilhar em seu jardim,com o dia em que era preciso regar as flores já quase mortas.Tomou banho,vestiu o vestido amarelo,arrumou os cabelos,passou um batom que pelo tempo já estava vencido,mas mesmo assim passou.Já não era a mesma de trinta anos atrás,aos cinqüenta,a aparência havia mudado muito.Mas não se preocupava com isso,parecia que tudo ia mudar a partir daquele momento,aquele convite era o renascimento de uma mulher que havia morrido dentro de si.No horário marcado,a campainha tocara,e ela foi de encontro a sua nova vida.Lá estava o seu amigo,que depois de todo esse tempo trouxera para ela o melhor presente que ela poderia receber:A VIDA!Foram para um bar, pediram um bom vinho, comeram alguns petiscos, deu muitas risadas, gargalhadas, depois ele a levara para casa e marcaram de sair novamente. Ao deitar em sua cama, ela percebera que toda aquela tristeza, toda aquela angústia havia ido embora, e que aquele convite fez nascer uma nova mulher, uma nova mulher aos cinqüenta anos de idade que agora sorridente pensava: FELIZ AQUELE QUE FEZ AMIGOS!

Jacson Lopes



domingo, 6 de junho de 2010

De minhas besteiras: imagino fazer arte.
Jacson Lopes
Imagem de Aline Melo
A boneca poderia não ser bela.Mas pra que serviria a beleza da boneca,se existe a beleza da artista.
Jacson lopes
Feio: é parecer um boneco torto e não saber por onde ir.
Jacson Lopes

segunda-feira, 31 de maio de 2010




Haveria um culpado?Com as mãos sujas e alguns pedaços de pano velho, ele demonstrava o seu mundo. O mundo no qual ele não pedira para nascer. Preferiu não mostrar os olhos, pois assim amenizaria à sua tristeza, que era tão grande, talvez até maior que o seu mundo, o seu próprio mundo. Mas, que mundo?Um mundo que depois de tudo o que tinha vivido jamais pediria pra voltar. Um mundo que o fez menor que os outros pelo que era, pelo local onde, infelizmente, havia nascido. Mas ele foi forte, lutou até a morte! Era um menino que nada tinha de menino. Desde cedo, quando deveria ser uma criança aprendera a ser homem. Não tinha pai, não tinha mãe, não tinha ninguém além de si mesmo. Assim aprendeu a viver MENINO-HOMEM, forte, corajoso, poderoso. Não conseguiria viver muito tempo em um mundo de feras, feras essas que até se pareciam com ele, mas ele preferia reconhecê-los como feras. Ou melhor, chegava a acreditar que as feras eram mais dóceis, menos selvagens. Com certeza haveria culpados, culpados que ele não conhecia, pois todas aquelas feras também eram vítimas. Vítimas de um mundo que ele MENINO-HOMEM jamais iria compreender, mundo esse em que ele MENINO-HOMEM jamais desejaria voltar.
Jacson Lopes

Não havia amores para recordar. Em seu baú de memórias, cheio de trapos, não havia nada de romântico. Ao revirá-lo, lembrava-se de uma vida sem grandes expectativas e com pouquíssimas surpresas. Lembrava-se que quando jovem, costumava idealizar um futuro. Um futuro cheio de realizações, cheio de metas cumpridas e sonhos realizados. Era uma pintura perfeita, sem borrões!Adorava sonhar, assim conseguia refugiar-se em um mundo que não era o seu. O tempo passou, as pessoas passaram, os sonhos se foram, as frustrações chegaram. Já ao fundo do baú, encontrara um pedaço de papel amarelado, no qual havia escrito: POBRE É AQUELE QUE DESISTE!E havia desistido! Desistido dos amores que nunca existiram, das pessoas que nunca chegaram, dos abraços que jamais recebera e dos beijos que nunca dera. Era POBRE, EXTREMAMENTE POBRE!Percebeu que nunca tinha vivido, que tudo aquilo que poderia ser lembrado como partes de uma vida, mais pareciam com a trajetória de uma morte.De uma morte em si e dentro de si.Uma morte que conseguiu vencer tudo o que poderia tornar-se lembranças de uma vida.Vida essa que jamais tivera.


Jacson Lopes

segunda-feira, 17 de maio de 2010





Era preciso ter paciência!Com a experiência dos anos vividos, teria compreendido que nem sempre as coisas acontecem no momento desejado, na hora desejada. Esperar era a tarefa mais difícil a ser cumprida. Então, sonhava. Sonhava com um novo momento, essa foi a melhor maneira que encontrou para se aproximar do passado, assim como esperar o futuro inusitado. O futuro tão desejado e tão distante. Procurou algo que ocupasse sua mente. Tentou ler livros, ouvir músicas, sair com amigos, dançar. Nada adiantava!Quando menos esperava, tudo voltava a acontecer. O mesmo pensamento, a mesma pessoa, a mesma falta. Como poderia ser uma falta, se se fez presente por tão pouco tempo?Dentro de si havia a resposta, que gritava insistentemente dizendo que o tempo jamais irá compreender as coisas de dentro, que esse tempo jamais seria capaz de explicar a falta que o coração não compreende e repudia. Mas mesmo assim, era preciso ter paciência, para que esse tal de tempo logo passasse e finalmente o futuro tão esperado chegasse, mesmo ao saber que o momento presente passaria e se tornaria passado e o futuro voltaria a ser o mais desejado.
Jacson Lopes

sexta-feira, 7 de maio de 2010








Bastava!Era momento de trilhar um novo caminho.Já não dava pra continuar ali,cabisbaixo!A vida tinha muito a oferecer.Era hora de crescer,de abrir as asas e voar.Voar pra um lugar desconhecido e construir.Construir novos afetos,construir novos desafetos.Ele foi,sem medo,com intensa vontade de descobrir.Descobrir um mundo novo,uma vida nova.E assim foi.Nova foi a vida,novas foram as experiências,novos foram os rostos.
Jacson Lopes

quarta-feira, 5 de maio de 2010








Foi um dia cheio!Cheio de trabalho, de pessoas que entravam e saiam. Mas, enfim, chegara a tarde. Respirei aliviado!O expediente havia acabado e só restava ir para casa, tomar um banho, comer algo e dormir. Dormir, no dia seguinte acordar e repetir as etapas de uma vida sem muito significado. As necessidades impunham essa "dinâmica”. Mas, para minha infelicidade o telefone tocou. Ao atender, reconheci aquela voz. Voz de quem ainda com um pouco de receio, sentiu necessidade de reviver um "passado”. Ou melhor, um resquício de passado. Inicialmente, parecia que já não fazia mais sentido reviver tudo aquilo. Tudo aquilo que não acabava, porém não tinha data para acontecer novamente. Mas se o destino fosse favorável, aconteceria. Resolvi aceitar o convite e fui. Fui ao encontro!O coração palpitava aceleradamente. Durante o percurso, tentei ensaiar algumas frases, pensar em assuntos para um bom papo. Cheguei ao local marcado e lá estava. Com sempre, aquele rosto sério, poucas palavras, sorriso disfarçados e... Aconteceu novamente!Despedimos-nos, deixando a entender que se o destino fosse favorável, tornaria acontecer. No caminho de volta para casa, lembrei do telefone que havia tocado e daquela voz macia do outro lado. Pensei: será que o toque daquele telefone significava INFELICIDADE?Acho que não!Mas certamente não significava FELICIDADE. Ao chegar à frente de casa, abri a porta e entrei. Tomei um banho, deitei na cama. Continuei a pensar numa palavra que pudesse explicar tudo aquilo, mas percebi que buscar uma explicação ou um significado não mudaria nada. Tudo continuaria da mesma forma. Portanto, só restava dormir e esperar a “dinâmica” do dia seguinte. Restava torcer, para que sabe-se lá quando, aquele telefone tocasse novamente e aquela mesma voz, macia, fizesse um novo convite.
Jacson Lopes

sábado, 1 de maio de 2010










De longe até parecia um dia diferente.Parecia que novamente iria acontecer.Fiz tudo da mesma maneira.Da maneira "correta",repeti o ritual.Era o mesmo dia da semana,o mesmo em que tudo tinha acontecido.Tudo aquilo que me fez tão bem e repetiria quantas vezes fosse possível.Mas neste dia,depois de todo aquele ritual,não aconteceu!Passei no mesmo local,fui e voltei.Mas não aconteceu.Prossegui,o ritual foi em vão.Nada aconteceu como antes,você nem estava lá.E eu fui,fui embora!Fiquei pensando e percebi.Percebi que a vida tem dessas coisas,dessas coisas que não tem explicação e nem precisam ter.Uma explicação,só pioraria as coisas.Essas coisas que talvez nem existam,que talvez tenham sido uma mera criação minha e que pra você não faz sentindo algum.Talvez,não seja preciso de um ritual ou de algo parecido para que aconteça.Apenas acontece!Num momento inesperado,sem anúncios prévios.







Jacson Lopes





quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sapatos Velhos







Poderia até sair para dançar,mas meus sapatos estão velhos.
E não se deve dançar usando sapatos velhos.
Mas por que não usar sapatos velhos para dançar?
Será que os sapatos velhos rasgariam?
Já não posso responder!
Não saí para dançar!
Meus sapatos estão velhos!
Jacson Lopes,escrito em 18/08/07





quinta-feira, 22 de abril de 2010

Olhos que se cruzam
e dizem tudo
o que não cabe
em palavras.
Jacson Lopes
As coisas boas da vida
deveriam ser eternas.
Seria maravilhoso se
tivéssemos as melhores
pessoas sempre ao nosso lado.
Os nossos grandes amigos,
nossos grandes amores.
Infeliz é o tempo,
que passa,
e deixa saudade.
Essa que é eterna e
nos faz sentir vontade de reviver tudo,
tudo que foi bom
e não retorna.
Jacson Lopes

terça-feira, 30 de março de 2010






Um sorriso disfarçado
Um olhar enigmático
Com os pés descalços
Com os pés calçados
Com um pouco menos de idade
Com um pouco mais de idade
Uma alegria disfarçada
Uma tristeza escancarada.

Jacson Lopes






quarta-feira, 24 de março de 2010

Negro Rei - Cidade Negra


















O sol que queima a face
Aquece o desejo mais que otin
O sal escorre no corpo
E a dor da chibata é só cicatriz
Quem é que sabe como será o seu amanhã
Qualquer remanso é o descanso pro amor de Nanã
Esquece a dor axogun
Faz uma prece a Olorun
Na força de Ogun


Prende a tristeza meu erê
Sei que essa dor te faz sofrer
Mas guarda esse choro
Isso é um tesouro
Aos filhos de rei ...