segunda-feira, 31 de maio de 2010


Não havia amores para recordar. Em seu baú de memórias, cheio de trapos, não havia nada de romântico. Ao revirá-lo, lembrava-se de uma vida sem grandes expectativas e com pouquíssimas surpresas. Lembrava-se que quando jovem, costumava idealizar um futuro. Um futuro cheio de realizações, cheio de metas cumpridas e sonhos realizados. Era uma pintura perfeita, sem borrões!Adorava sonhar, assim conseguia refugiar-se em um mundo que não era o seu. O tempo passou, as pessoas passaram, os sonhos se foram, as frustrações chegaram. Já ao fundo do baú, encontrara um pedaço de papel amarelado, no qual havia escrito: POBRE É AQUELE QUE DESISTE!E havia desistido! Desistido dos amores que nunca existiram, das pessoas que nunca chegaram, dos abraços que jamais recebera e dos beijos que nunca dera. Era POBRE, EXTREMAMENTE POBRE!Percebeu que nunca tinha vivido, que tudo aquilo que poderia ser lembrado como partes de uma vida, mais pareciam com a trajetória de uma morte.De uma morte em si e dentro de si.Uma morte que conseguiu vencer tudo o que poderia tornar-se lembranças de uma vida.Vida essa que jamais tivera.


Jacson Lopes

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