segunda-feira, 31 de maio de 2010




Haveria um culpado?Com as mãos sujas e alguns pedaços de pano velho, ele demonstrava o seu mundo. O mundo no qual ele não pedira para nascer. Preferiu não mostrar os olhos, pois assim amenizaria à sua tristeza, que era tão grande, talvez até maior que o seu mundo, o seu próprio mundo. Mas, que mundo?Um mundo que depois de tudo o que tinha vivido jamais pediria pra voltar. Um mundo que o fez menor que os outros pelo que era, pelo local onde, infelizmente, havia nascido. Mas ele foi forte, lutou até a morte! Era um menino que nada tinha de menino. Desde cedo, quando deveria ser uma criança aprendera a ser homem. Não tinha pai, não tinha mãe, não tinha ninguém além de si mesmo. Assim aprendeu a viver MENINO-HOMEM, forte, corajoso, poderoso. Não conseguiria viver muito tempo em um mundo de feras, feras essas que até se pareciam com ele, mas ele preferia reconhecê-los como feras. Ou melhor, chegava a acreditar que as feras eram mais dóceis, menos selvagens. Com certeza haveria culpados, culpados que ele não conhecia, pois todas aquelas feras também eram vítimas. Vítimas de um mundo que ele MENINO-HOMEM jamais iria compreender, mundo esse em que ele MENINO-HOMEM jamais desejaria voltar.
Jacson Lopes

Não havia amores para recordar. Em seu baú de memórias, cheio de trapos, não havia nada de romântico. Ao revirá-lo, lembrava-se de uma vida sem grandes expectativas e com pouquíssimas surpresas. Lembrava-se que quando jovem, costumava idealizar um futuro. Um futuro cheio de realizações, cheio de metas cumpridas e sonhos realizados. Era uma pintura perfeita, sem borrões!Adorava sonhar, assim conseguia refugiar-se em um mundo que não era o seu. O tempo passou, as pessoas passaram, os sonhos se foram, as frustrações chegaram. Já ao fundo do baú, encontrara um pedaço de papel amarelado, no qual havia escrito: POBRE É AQUELE QUE DESISTE!E havia desistido! Desistido dos amores que nunca existiram, das pessoas que nunca chegaram, dos abraços que jamais recebera e dos beijos que nunca dera. Era POBRE, EXTREMAMENTE POBRE!Percebeu que nunca tinha vivido, que tudo aquilo que poderia ser lembrado como partes de uma vida, mais pareciam com a trajetória de uma morte.De uma morte em si e dentro de si.Uma morte que conseguiu vencer tudo o que poderia tornar-se lembranças de uma vida.Vida essa que jamais tivera.


Jacson Lopes

segunda-feira, 17 de maio de 2010





Era preciso ter paciência!Com a experiência dos anos vividos, teria compreendido que nem sempre as coisas acontecem no momento desejado, na hora desejada. Esperar era a tarefa mais difícil a ser cumprida. Então, sonhava. Sonhava com um novo momento, essa foi a melhor maneira que encontrou para se aproximar do passado, assim como esperar o futuro inusitado. O futuro tão desejado e tão distante. Procurou algo que ocupasse sua mente. Tentou ler livros, ouvir músicas, sair com amigos, dançar. Nada adiantava!Quando menos esperava, tudo voltava a acontecer. O mesmo pensamento, a mesma pessoa, a mesma falta. Como poderia ser uma falta, se se fez presente por tão pouco tempo?Dentro de si havia a resposta, que gritava insistentemente dizendo que o tempo jamais irá compreender as coisas de dentro, que esse tempo jamais seria capaz de explicar a falta que o coração não compreende e repudia. Mas mesmo assim, era preciso ter paciência, para que esse tal de tempo logo passasse e finalmente o futuro tão esperado chegasse, mesmo ao saber que o momento presente passaria e se tornaria passado e o futuro voltaria a ser o mais desejado.
Jacson Lopes

sexta-feira, 7 de maio de 2010








Bastava!Era momento de trilhar um novo caminho.Já não dava pra continuar ali,cabisbaixo!A vida tinha muito a oferecer.Era hora de crescer,de abrir as asas e voar.Voar pra um lugar desconhecido e construir.Construir novos afetos,construir novos desafetos.Ele foi,sem medo,com intensa vontade de descobrir.Descobrir um mundo novo,uma vida nova.E assim foi.Nova foi a vida,novas foram as experiências,novos foram os rostos.
Jacson Lopes

quarta-feira, 5 de maio de 2010








Foi um dia cheio!Cheio de trabalho, de pessoas que entravam e saiam. Mas, enfim, chegara a tarde. Respirei aliviado!O expediente havia acabado e só restava ir para casa, tomar um banho, comer algo e dormir. Dormir, no dia seguinte acordar e repetir as etapas de uma vida sem muito significado. As necessidades impunham essa "dinâmica”. Mas, para minha infelicidade o telefone tocou. Ao atender, reconheci aquela voz. Voz de quem ainda com um pouco de receio, sentiu necessidade de reviver um "passado”. Ou melhor, um resquício de passado. Inicialmente, parecia que já não fazia mais sentido reviver tudo aquilo. Tudo aquilo que não acabava, porém não tinha data para acontecer novamente. Mas se o destino fosse favorável, aconteceria. Resolvi aceitar o convite e fui. Fui ao encontro!O coração palpitava aceleradamente. Durante o percurso, tentei ensaiar algumas frases, pensar em assuntos para um bom papo. Cheguei ao local marcado e lá estava. Com sempre, aquele rosto sério, poucas palavras, sorriso disfarçados e... Aconteceu novamente!Despedimos-nos, deixando a entender que se o destino fosse favorável, tornaria acontecer. No caminho de volta para casa, lembrei do telefone que havia tocado e daquela voz macia do outro lado. Pensei: será que o toque daquele telefone significava INFELICIDADE?Acho que não!Mas certamente não significava FELICIDADE. Ao chegar à frente de casa, abri a porta e entrei. Tomei um banho, deitei na cama. Continuei a pensar numa palavra que pudesse explicar tudo aquilo, mas percebi que buscar uma explicação ou um significado não mudaria nada. Tudo continuaria da mesma forma. Portanto, só restava dormir e esperar a “dinâmica” do dia seguinte. Restava torcer, para que sabe-se lá quando, aquele telefone tocasse novamente e aquela mesma voz, macia, fizesse um novo convite.
Jacson Lopes

sábado, 1 de maio de 2010










De longe até parecia um dia diferente.Parecia que novamente iria acontecer.Fiz tudo da mesma maneira.Da maneira "correta",repeti o ritual.Era o mesmo dia da semana,o mesmo em que tudo tinha acontecido.Tudo aquilo que me fez tão bem e repetiria quantas vezes fosse possível.Mas neste dia,depois de todo aquele ritual,não aconteceu!Passei no mesmo local,fui e voltei.Mas não aconteceu.Prossegui,o ritual foi em vão.Nada aconteceu como antes,você nem estava lá.E eu fui,fui embora!Fiquei pensando e percebi.Percebi que a vida tem dessas coisas,dessas coisas que não tem explicação e nem precisam ter.Uma explicação,só pioraria as coisas.Essas coisas que talvez nem existam,que talvez tenham sido uma mera criação minha e que pra você não faz sentindo algum.Talvez,não seja preciso de um ritual ou de algo parecido para que aconteça.Apenas acontece!Num momento inesperado,sem anúncios prévios.







Jacson Lopes