
Haveria um culpado?Com as mãos sujas e alguns pedaços de pano velho, ele demonstrava o seu mundo. O mundo no qual ele não pedira para nascer. Preferiu não mostrar os olhos, pois assim amenizaria à sua tristeza, que era tão grande, talvez até maior que o seu mundo, o seu próprio mundo. Mas, que mundo?Um mundo que depois de tudo o que tinha vivido jamais pediria pra voltar. Um mundo que o fez menor que os outros pelo que era, pelo local onde, infelizmente, havia nascido. Mas ele foi forte, lutou até a morte! Era um menino que nada tinha de menino. Desde cedo, quando deveria ser uma criança aprendera a ser homem. Não tinha pai, não tinha mãe, não tinha ninguém além de si mesmo. Assim aprendeu a viver MENINO-HOMEM, forte, corajoso, poderoso. Não conseguiria viver muito tempo em um mundo de feras, feras essas que até se pareciam com ele, mas ele preferia reconhecê-los como feras. Ou melhor, chegava a acreditar que as feras eram mais dóceis, menos selvagens. Com certeza haveria culpados, culpados que ele não conhecia, pois todas aquelas feras também eram vítimas. Vítimas de um mundo que ele MENINO-HOMEM jamais iria compreender, mundo esse em que ele MENINO-HOMEM jamais desejaria voltar.
Jacson Lopes




